Revit ou QiBuilder: Qual devo escolher?

considerações iniciais

Essa escolha pode representar – na data de hoje – uma economia ou acréscimo de 12 mil reais no seu orçamento anual.

– Ah, mas quem é que paga o Revit? Todo mundo usa conta estudantil ou crackeado. Porque eu vou pagar quando ninguém paga?

É aí que você cai em uma armadilha, mas vamos deixar isso para o final. Vamos focar primeiro na comparação entre os softwares.

Primeiramente, não pense que eu estou com a minha opinião deturpada porque eu vendo um curso voltado para o Revit. O motivo é simples: Estou desenvolvendo um curso com a mesma pegada para quem não usa o Revit. Não tenho motivos para privilegiar um em detrimento do outro, por algum receio das minhas vendas caírem.

Minha opinião também não fica prejudicada pelo fato de nunca ter usado o QiBuilder. Porque não aprendemos apenas com a experimentação, mas também com os feedbacks e experiência de quem usa. Então dada essa introdução, vamos lá.

Qualidade de apresentação

Fonte: Autoral

Todos sabem que a qualidade de representação final do Revit é melhor que a do QiBuilder. A questão é que o software já melhorou muito nesse sentido, chegando a representações bem similares às que o pessoal do Revit faz. Claro, ainda tem limitações, mas eu acredito firmemente que eles irão chegar lá. As representações bonitas que são feitas no QiBuilder ainda não são perfeitas, e há um sério problema com a representação das peças, mas uma coisa é certa: Os usuários tem dado um jeitinho!

Iniciativas como a S.O.S Qibuilder é uma delas. Eles são especializados na conversão de modelos Revit para Qibuilder criando assim templates com as mais variadas peças e conexões que você puder imaginar. É de se questionar o porquê a AltoQi não trás essas peças em uma espécie de gerenciador de objetos, mas tudo bem.

Mas não dá para negar, quando se fala de representação o Revit sai muito por cima. Não só na qualidade mas na automação desse processo de representação. A qualidade vai além do visual, a geometria também é mais bem feita, possibilitando exportações para renderizações que ficam mais apresentáveis.

Mas outra questão é: Será que essa representação toda vai fazer sentido para o tipo de cliente que você atende? Vamos lá. Existem clientes e projetos que não necessitam de toda uma representação em torno dela. E aliás, nem compensaria fazer em vários casos. Muitos arquitetos ainda fazem projetos em CAD, e muitas construtoras querem apenas saber se os tubos estão compatibilizados com as outras disciplinas. Para elas, se a caixa sifonada está com todos os vincos e arestas perfeitas, tanto faz. Muitos construtores e incorporadores também pensam assim. Agora, quando trata-se de projetos extremamente personalizados de alto padrão, essa representação das peças e liberdade para criar outras pode ser extremamente decisiva no fechamento de contratos, mas isso também é relativo.

velocidade

Sem comparação. QiBuilder dá de lavada e ponto, tanto no hidrossanitário quanto no elétrico (esse ainda mais). Tem muitos até que fazem o elétrico no QiBuilder e o hidro no Revit (claro, sem pagar a licença do Revit). A questão é: Para quem é importante ter uma velocidade extrema?

Resposta: Para escritórios que ganham no volume e nas obras verticais. Se o seu escritório somente consegue se manter se entregar um projeto hidrossanitário e elétrico em 2 ou 3 dias, cobrando 1500 a 1800 por projeto, o QiBuilder é para você. Porque o mesmo sobrado vai levar 5 a 7 dias, e dependendo do quando você já expandiu o escritório Brasil a fora, só conseguirá cobrar 2500-3500 por projeto. Agora coloque na conta quantos projetos desse consegue entregar por mês, custos de nota fiscal e a generosa parcelinha do Revit. Compensa?

A questão é que, pagando o Revit, só compensa usá-lo para grandes projetos verticais onde os prazos são mais confortáveis ou então em obras de alto padrão onde o escritório consegue cobrar acima de 5 mil reais por projeto hidrossanitário. Existem colegas que cobram bem mais inclusive. Mas isso depende de um grau de expansão e networking que levam anos!

custo

Primeiro vamos falar da armadilha de não pagar o Revit. Existem muitos colegas que são intimados pela Autodesk por usarem licença estudantil para fins comerciais. Pior ainda se usar o Revit crackeado. Isso causa, em muitos, uma insegurança em divulgar seus projetos, com medo de chegar uma intimação em um belo dia de entrega de projetos.

No começo é comum que projetistas comecem dessa forma “clandestina”. É de se compreender, pois no Brasil vivemos com altos impostos sobre softwares, muita desigualdade social, baixo incentivo ao empreendedor, e é um desafio para a maioria já investir uma bolada no Revit. Mas à medida em que você vai crescendo e ganhando mais, chega a hora de estruturar direito as coisas. Nenhum negócio expande de forma sólida somente no boca a boca, na indicação. Tem que ter marketing!

O QiBuilder tem um custo bem menor. Pode ser melhor começar com ele, e depois migrar para o Revit depois que o tipo de cliente e os valores por projeto melhorarem. Mas começar já no Revit tem a vantagem de rapidamente já construir um bom nome entre os projetos alto padrão, e quando isso acontece, você vai querer paz e não vai ter: Os clientes vem bater na porta, e sempre com pressa.

dimensionamento

“Revit não dimensiona!” – Besteira, dimensiona sim. Ele tem um sistema interno de dimensionamento, o problema é que pouca gente soube configurar aquilo certinho. Mas todas as conexões e acessórios tem propriedades de fator K – que é usado na fórmula de perda de carga localizada em função da velocidade da água. Ele também dimensiona através de rotinas feitas no Dynamo e plugins como UnMep, OF Hidraúlico ou Dariva BIM podem ser utilizados para esse fim.

Já o QiBuilder faz tudo nativamente sem precisar ficar mexendo nem fuçando nada. Fornece relatórios extremamente detalhados (isso pode ser uma exigência do contratante). Portando usuários iniciais que dependem desses relatórios detalhados e não querem pagar mais um plugin do Revit, pode ser mais interessante o uso do builder. Mas se não faz diferença pagar mais uma ferramenta, você pode usar um plugin ou então dimensionar por uso de planilhas e inserção manual de informações.

considerações finais

Outro fato a se considerar é a maturidade do software. Ainda é uma queixa comum dos usuários de QiBuilder que tem bugs sem corrigir, alguns até ficaram traumatizados e migraram para o Revit. Este último também não é um santo, houveram versões (como a 2023) que fechava do nada e o pessoal não conseguia mais abrir nenhum projeto. Porém o Revit é mais maduro, permite mais flexibilidade nas soluções, tem um sistema de modelagem de componentes que dá bastante liberdade para o projetista criar sistemas diversos e específicos. Enfim, cada um tem seu ponto forte e fraco. Reflita sobre os pontos apresentados, e se quiser contribuir com essa análise, envie uma sugestão para o e-mail contato@erikcavalcanti.com.br.

tabela comparativa entre revit e qibuilder

CritérioRevitQiBuilder
Qualidade de RepresentaçãoSuperior: Melhor visual, geometria mais precisa, ideal para renderizações de alto padrão.Evoluindo: Representações similares ao Revit, mas com limitações em peças e conexões.
VelocidadeMais lento: Requer mais tempo para modelagem, especialmente em projetos hidrossanitários e elétricos.Muito rápido: Ideal para escritórios que entregam projetos em curto prazo e com alta frequência.
CustoAlto: Licença cara; risco de intimação ao usar versões estudantis ou crackeadas para fins comerciais.Baixo: Custo acessível, mais viável para quem está começando ou busca projetos de menor escala.
Público-AlvoProjetos de alto padrão ou grandes verticais, onde a qualidade é decisiva para fechar contratos.Escritórios que ganham por volume e trabalham com prazos curtos em projetos menores.
Maturidade do SoftwareMais maduro: Flexível, permite personalizações e modelagem de componentes específicos.Em desenvolvimento: Bugs ainda são comuns, mas o software está melhorando.
Automação e FlexibilidadeAlta: Automação avançada no processo de representação, maior liberdade criativa.Média: Depende de recursos externos (como SOS QiBuilder) para ampliar a automação e flexibilidade.
Risco LegalMaior: Uso não licenciado (estudantil/crackeado) pode gerar intimações e problemas legais.Menor: Licenciamento mais acessível reduz o risco de irregularidades.
Considerações de MercadoReforça imagem premium: Aumenta credibilidade em projetos de alto padrão.Acessível para início: Viável para construção de portfólio em projetos menores.
DimensionamentoCom uso de plugins pagos ou rotinas do Dynamo vendidas por terceiros.Faz de forma fácil e nativa, fornecendo relatórios detalhados.
Fonte: Autoral.